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:: Quarta-feira, Junho 29, 2005 ::

Esses dias recebi um email de um aluno cujo tema era "as coisas boas que o povo brasileiro tem em relação aos gringos". Abordava também a visão desencantada e pejorativa que o Brasil faz de si mesmo. para tal, o mail relatava coisas que aconteciam em outros lugares do mundo, como por exemplo: "Na frança, se um cliente de restaurante pede para ficar num lugar para não fumantes, o garçom ri da cara dele", ou ainda "Na europa é comum os vendedores de castanhas embrulharem-nas em jornal e, o que é pior, a população faz fila para comprar".
Entre outras coisas, o mail caminhava por aí. Porra, quer dizer então que, o que há de interessante no Brasil é simplesmente o que o comércio proporciona? Todas as "más comparações" nasceram da iniciativa privada! Sim, porque, se formos comparar a importância que a europa dá para o seu espaço público, o Brasil fica no chinelo.... a gente se acostumou muito mal pensando que os direitos públicos brasileiros têm a ver com as relações entre produção e consumo. Um cidadãso sai da sua casa, no frio e na chuva, para reclamar grosseiramente que entregaram pizza de mussarella enquanto deveria ser de quarto queijos, mas não levantaria o rabo para exigir qualquer melhoria do espaço público. Então, por aqui, o vendedor de castanhas tem o dever de embrulhar seu produto num saquinho plástico, para que as castanhas não molhem durante as enchentes.
Isso não quer dizer que o sujeito não deva exigir condições da iniciativa privada, mas não deixa de ser uma ato individualista, para o bem de si. O Brasil, nesse raciocínio, vai se tornando um lugar privado. O comércio invade ruas e calçadas. A dimensão do espaço público vai se tornando a dimensão do "poder" aquisitivo, deixam de pertencer também a quem não compra nada, porque não tem dinheiro. Com essa preocupação privada, quem não tem dinheiro fica de fora da sociedade, não participa dos direitos gerais. Só resta cultuar as marcas e celebridades.
:: JUCELINO GENTEBOA 9:39 AM [+] ::
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:: Terça-feira, Junho 28, 2005 ::
É incrível como a as ações safadas dos poderosos têm uma conotação mais legítima do que as da ralé. Fala-se de impunidade quando a ralé rouba um celular ou um toca cds. Não se fala da impunidade em Brasília. Ultimamente, com tantas câmeras cagüetes, ninguém parece ter o passaporte carimbado para o chilindró. Tem-se a impressão de que, na situação dos caras, qualquer cidadão dito de bem faria o mesmo, como se o mesmo cidadão, se estivesse na condição de ralésisse absoluta, não trombaria carteiras na rua, ou saquearia discretamente redes de supermercado. A ação do pobre é sempre mentirosa, ilegítima, por mais que seu contexto talvez o favoreça. Enquanto que o poderoso pode confiscar suas "contribuições" e propriedades, pode inclusive ter parte com o diabo. De tanto negar e afirmar coisas, tem a verdade do seu lado, já que assume uma posição quase canônica de ser superior. E um ser superior nunca comete baixezas como roubar carteiras. Para o poderoso, basta desaparecer um pouco, tirar umas férias ou até, numa perspectiva "telecat", retratar-se em público. Bastaria um cara da ralé se retratar em público? Não, claro que não. A ralé condena a ralé que fez besteira, porque a ralé sofre por ser honesta. A ralé acha que honestidade é uma sina... e não um valor de atributo virtuoso. Na verdade ela quer se dar muito bem às custas da própria ralé, assim como o poderoso, e por isso condena um ralé semelhante que, num determinado momento pensou em se dar bem. O poderoso, só por essa oposição de lugar, que determina a conotação dos seus atos, tem a permissão para colocar o mundo na condição que bem entender.
:: JUCELINO GENTEBOA 8:55 AM [+] ::
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:: Segunda-feira, Junho 27, 2005 ::
A Patrícia é mãe do Logan, que não é integrante dos X-Men. O Logan é um guri de três aninhos, ultra serelepe, imparável. Isso é legal. Uma vez, a Patrícia deixou (!!) o Logan na mão do Tchê e foi trabalhar. O Tchê, crente na própria lenda de que não leva jeito com crianças, me ligou: "Zé, me ajuda a cuidar do guri" E lá fui eu. Foi mais divertido do que o esperado. O Logan ficou numa boa, chupando balas, brincando com uma bolinha de borracha, enfim, agindo como uma criança comum. Uma hora ele começou a embirrar com o lugar em que o Tchê estava sentado. Nós achamos que ele queria mais balas. O Tchê dizia que não ia arredar o pé dali, se ele não falasse o que queria. "Experimenta sair", eu sugeri, só pra ver o que era. O Logan simplesmente queria se sentar no lugar do Tchê, para começar um jogo de bola conosco!! Depois dessa, não dá pra afirmar que criança é previsível. Desmontou por inteiro as minhas convicções a respeito dos comportamentos infantis. Ficamos jogando com ele por quase uma hora, fazendo graças com a bolinha e ele tentando imitar. A Patrícia chegou e, após algumas manhas com a mãe, adormeceram os dois. Ah, sobre ela, clique no link aí do lado....
:: JUCELINO GENTEBOA 9:03 AM [+] ::
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O que, em determinadas situações, a gente chamaria de "coragem"? Ficar até o fim e segurar a onda, ou pular do barco enquanto é tempo e deixar lá meia dúzia de passageiros entusiasmados com a aventura?
:: JUCELINO GENTEBOA 8:50 AM [+] ::
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:: Segunda-feira, Junho 20, 2005 ::
Hoje até o sol acordou preguiçoso. Também, já não era sem tempo. Aqui pelos trópicos o sol realmente faz um serviço caprichado. Sua dedicação ao trabalho é exemplar. e justamente por causa disso chega a encher o saco. Acho que, por exemplo, a hora do almoço poderia ser poupada de seu afinco. Ele mesmo podia parar um pouco para almoçar. Mas não, nessa hora é que ele resolve pôr a mão na massa, deixando metade do universo mole como um molusco. Mesmo assim, ele é mais legal do que chuva. Chuva é um vagabundo que aparece de vez em quando e na maior parte das vezes não sabe a hora de ir embora. Você não quer mais conversa. Na verdade você não quer mais sua presença e o vagabundo insiste em ficar. O sol, nesse ponto é muito mais elegante: deixa, pelo menos, a gente dormir em paz.
:: JUCELINO GENTEBOA 8:34 AM [+] ::
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:: Quinta-feira, Junho 16, 2005 ::
Eu fui à praia na noite desse sábado. Eu, a Patrícia/alface e o Tchê: o "power trio etílico". Resolvemos descer até a graciosa/decadente cidade de Santos graças às contribuições terapêuticas de Narjara (não tenho nem como agradecer). Descemos a Anchieta ao som de Ramones e Rolling Stones, num carro gentilmente cedido pela minha irmã. Bem diferente do meu golzinho, o Peugeot dela parece mais uma nave, e a anchieta de madrugada, celestial.
Começou com a Patrícia sugerindo inocentemente que fôssemos ao Rio de Janeiro. O Tchê, nessa hora, se dirigia ao quarto para fazer malas. "Vamos passar uns três dias", repetia ele. Lembrei-me de que à noite todos os gatos são pardos e de Sampa ao Rio são quase 500 quilômetros e quatro pedágios e que não passamos de um trio de bolsos vazios...enfim. Sugeri Santos. Nunca vi tanta agilidade na Patrícia. Geralmente ela enrola até acabarem as sessões de cinema e fica sem ver os filmes. Mas dessa vez ela já estava de pé. O que me animou, pois eu já corri em direção ao elevador com as ondas do mar me molhando os pés. Descemos na nave like a Rolling Stones. Quando dei por mim, havia chegado a Santos e, quando dei por mim de novo, havia chegado à mesa uma porção de camarão e uma batida de abacaxi generosa. Na praia, alguns jovens falavam alto e tomavam banho em chuveiros beira-mar. a cidade mantinha-se iluminada, incansável como a maré. E como nós. O problema é que, entre a cidade, o mar e o trio, adivinhem quem caiu primeiro...minha garganta dava sinais de falência. As vozes do trio diminuíam. resolvemos tomar um café no amanhecer do centro de Santos. Nada aberto no caminho e, como não sabíamos andar por ali, resolvemos subir a Anchieta celestial. Tchê e Patrícias ressonavam no meio do universo escuro. Vivos ali, só eu e as plantas-de-beira-de-estrada. Amanheci com a nave cheia de areia e mais um post na cabeça...
:: JUCELINO GENTEBOA 9:01 AM [+] ::
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:: Quarta-feira, Junho 15, 2005 ::
Metade dos meus alunos acha que eu não faço outra coisa da vida senão ler e jogar xadrez. A outra metade tem certeza. Outro dia, uma aluna muito simpática e inteligente me perguntou: "Professor, você vai à praia?". Eu, quase não conseguindo segurar o riso, respondi "claro" e já remendei outra pergunta "Por quê? O que você acha que eu faço da vida quando não estou dentro da sala de aula?". Daí que eu percebi uma coisa que me ocorria também: a imagem que se tem dum professor é extremamente impessoal. Quando eu estava na escola, nunca havia parado pra pensar se existia vida fora da sala para os professores até o dia em que uma professora minha de ciências levara o filho, um bebê ainda, para a sala de aula. Nessa hora eu pensei "puxa, os professores têm filhos, têm família, transam..etc." Desdentão os profs passaram a ser seres humanos, para mim. Hoje, com o papel invertido, os alunos devem me imaginar entrando numa cápsula celestial onde a única coisa possível de se fazer é ler, estudar os conteúdos escolares, corrigir provas.. Acho que isso se deve ao fato de o assunto da sala de aula ser muito específico, e a figura do professor, muito determinada, tanto quanto um caixa eletrônico. E olha que eu, particularmente, faço questão de jogar conversa fora, sem a menor ligação com gramática ou literatura durante algumas aulas. Já até falei sobre drinks e contei histórias patéticas da minha sublime biografia. Tudo isso pra tentar dar uma "humanizada" na minha pessoa. Por causa disso alguns alunos abandonam a mácula de professor/cápsula. Outros, enfim, não tem remédio: professor é um ser temático, como uma planta que só dá um tipo de fruto numa determinada época. O resto do tempo ela deixa de existir. Quando eu tiver um filho, o levarei para a sala de aula pra provar que eu não jogo só xadrez.
:: JUCELINO GENTEBOA 10:41 AM [+] ::
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:: Terça-feira, Junho 14, 2005 ::
Entre o o sol e o teu tom de pele
eu fico num deserto
quente e desconhecido

Ah...a deliciosa preocupação da deriva
me ferve os nervos.
E no fim, curto isso
como ao fechar a porta do passado
Ter morrido
sem saber o que sobreviveu

E você degusta e se diverte
com a diversão que há em morrer

Morremos os dois a rir.
O que diziam queimar
nem arde tanto
(ardia mais quando vivíamos)

Agora somos frescos e incadescentes
puros por escolhermos
só o que é pecado
mesmo nunca tendo tocado um corpo
Só carapaças seladas e frias

A morte não gela os lábios como dizem
E depois de termos morrido
sabemos que o frio
é algo da vida

Voltaremos a viver
só se for pra morrer de novo
como quem sai da água
pra pular num trampolim

José Marcos Rocha



:: JUCELINO GENTEBOA 8:26 AM [+] ::
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:: Quarta-feira, Junho 08, 2005 ::
Ela queria me mostrar o céu e a limpeza que há por lá. Eu queria lhe mostrar que há flores bonitas no inferno. Lá no céu, ela era a única coisa que me chamava a atenção. Eu poderia ficar lá só por causa dela. Ela não ficaria no inferno por minha causa. Então eu resolvi descer e ficar olhando pra ela aqui debaixo - a idéia dela me fazendo companhia. Mas só a idéia não era o bastante. Eu queria tocá-la de verdade e me parece que por lá isso não faz sentido. Eu estava treinando o meu fígado pra salvar minha alma. Ela se aprofundava no espírito e fazia exercícios de alto impacto. Então eu resolvi esquecer do céu e ficar por aqui mesmo; encontrar qualquer mulher metida a infernal, como eu, e deixar Deus com seus caprichos. Quando ela apareceu, eu não conseguia tirar os olhos das suas coxas e do seus lábios. Deus, eu até pensei em arrumar briga contigo por causa dela. Ela nunca toparia uma briga dessas. Parece até que ela sofre por sua causa, e queria estar no lugar do seu filho, e diz que você a toca de vez em quando. Desse jeito, Deus, não dá pra competir. Aqui no inferno há um grande admirador seu. E você enxotou o cara. Nós gostamos do cara pelo mesmo motivo. O seu lugar faz questão de muita coisa. Mas ela te ama demais e topa tudo isso em troca dos seus eventuais toques. Deus, deixa alguma coisa pra mim. Por que você faz questão de todo mundo aí por perto? Eu só estava afim de mostrar algumas flores pra ela. Eu arrisco até dizer que ela reconhece a beleza das flores daqui. Mas o céu, de tão alto, parece muito verdadeiro. Mais verdadeiro que coxas e lábios e flores.
:: JUCELINO GENTEBOA 8:32 AM [+] ::
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:: Terça-feira, Maio 24, 2005 ::
boa frase de caminhão: não sou mágico mas me viro com esse truck.
:: JUCELINO GENTEBOA 12:39 PM [+] ::
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:: Segunda-feira, Maio 23, 2005 ::
Morreu hoje o palhaço Arrelia, com 99 aninhos. eu me lembro dele quando era criança. devia até ter um disco, junto à seleta prateleira de discos do Sérgio Malandro (que ganhei de amigo secreto ano passado), do Balão Mágico e etc. Na verdade, sempre gostei de programas infantis apresentados por palhaços (qual não é?). Vovó mafalda, Bozzo, os meus preferidos. nunca gostei de Xuxa ou Angélica. Acho que é porque os desenhos do SBT eram muito mais legais do que os da Globo. No SBesTeira passava Pica Pau, Pernalonga, Muppet Babies... na Globo passava Capitão Planeta (careta pra caralho). mas enfim, estava falando do Arrelia que morreu e dos palhaços. Acho palhaço um troço legal. A Patrícia é uma palhaça, a "alface". e nas horas em que não está maquiada e com o nariz vermelho, continua com o mesmo espírito.É impossível não achar graça nas macaquices que ela apronta (bêbada, então...). uma vez estávamos eu, o Tchê e ela pela madrugada quando resolvemos comer algo no estadão, o salvador dos estômagos da noite. Patrícia foi até lá caminhando pela rua (rua, não calçada). Os carros desviavam dela, os táxis buzinavam...eu e o Tchê só olhávamos. Ela senta ao balcão, sem um tostão, e pede um bolinho de bacalhau que ela entitulou de bolinho de batata: "não tem bacalhau", dizia. Depois pegou o vidro de pimenta e, de tão ruim segundo ela, queria devolver o pote ao baconista..."tá horrível". Uma moça encosta ao nosso lado para pegar uns pães de queijo e a Patrícia acaba por não lhe recomendar a pimenta: "não bota isso não que tá uma merda". A moça se manteve indiferente. Patrícia pediu uma Coca e, assim que o balconista trouxe o refri, ela derramou mais fora que dentro do copo. o balcão ficou uma beleza. era um verdadeiro espetáculo na madrugada. A platéia fingia não ver, mas todo mundo prestava atenção, querendo conferir quel seria a próxima. Sem contar que a parte de cima do seu figurino era um pijama azul claro, com uma estrelinha bordada. O Tchê pagou a conta, e fomos felizes para casa, dessa vez pela calçada. Acho que, com o tempo, assim como eu, a rapaziada do estadão se acostuma. alface é foda...

:: JUCELINO GENTEBOA 9:54 AM [+] ::
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:: Quinta-feira, Maio 19, 2005 ::
às vezes eu eu me pergunto se é melhor um sujeito ir até o fim numa coisa que tem tudo pra dar errado, mas parece genial se der certo, ou se é melhor parar antes que seja tarde. O problema é que nem sempre a razão prevalece. e daí a gente vai escorregando pelas maravilhas aparentes e o que poderia dar errado vai sendo adiado. pode ser que seja adiado pra sempre... podia ser simples como jogar sinuca no bar, ou abrir um bom Henry Miller esparramado na poltrona. O foda é o emaranhado de confusões em que a gente se mete, e a delícia e a graça que isso tem, enquanto se está relativamente distante, inconsequente. E é esparramado na poltrona que eu costumo aguardar o fim da linha, o beco sem saída, o xeque. E fico sem saber o que fazer... e me mantenho sentado. Não tenho essa frieza de "me distrair", esquecer. Só fico remoendo uma coisa mais que processada, porém longe de estar digerida. Acho que se trata mesmo de não querer digerir algo passado e achar que aquilo pode ser o que já foi um dia. Alguns chamam isso de saudade, outros de esperança. Eu só consigo chamar isso de ressaca.
:: JUCELINO GENTEBOA 9:03 AM [+] ::
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:: Terça-feira, Maio 17, 2005 ::
Ontem, no mercado, um cara, ao ver que eu tinha só umas cervejas na mão, me deixou passar na frente dele. Alguns, após algum tempo podendo olhar pra minha cara, apertam um pouco o carro para eu poder passar com o meu. andam me oferecendo doces e até a criançada faz desenhos pra mim. Das duas, uma: ou a minha cara feia tá completamente insuportável ou o meu desencanto os deixa tal encabulados que é melhor colaborar...
:: JUCELINO GENTEBOA 2:03 PM [+] ::
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:: Quarta-feira, Março 30, 2005 ::
Tava lendo um texto da Clarah Averbuck sobre o lance de se sentir velho, enquanto está trancado num quarto lendo e ouvindo música. algumas pessoas poderiam até entrar em crise com isso, se sentindo solitárias e achando que deveriam estar nas baladas juvenis, aproveitando a vida. às vezes eu entro nessa mas, assim que o lado B do Abbey Road começa, tudo isso passa. O apresentador de um programa da rádio cultura (rádio de velho), Salomão Schwartsman (não sei se escrevi certo), disse uma vez que "é uma pena a juventude ser desperdiçada com jovens". O problema é que eu, nos meus 23 anos, não sei o que ele chamou de desperdício: o meu caso ou as babaquices juvenis típicas (arrumar brigas, equipar carros, ir a Barretos, etc.). Dos meus atributos físicos, uso bastante o fígado. Meus bíceps e panturrilhas fazem o básico. Se eu morresse logo após este post, poderia dizer que vivi sem grandes feitos e aventuras, já que me contento basicamente com algumas voltas na vespa do Pablo (faz tempo que eu n ando) e meia dúzia de boas jogadas no xadrez (jogo de velho). Passo a maior parte do tempo lendo as desventuras e desgostos de escritores bêbados e vagabundos. mesmo assim, pretendo escrever as minhas, por mais pacatas que sejam. Nem a internet, super juvenil, me apaixona tanto assim. Como disse a Gabi (comentário do post anterior), o ritmo deve ser seu e ponto. costumo ouvir muita gente dizer que quer aproveitar a velhice com sossego e um pouco de sobriedade. bom, o sossego talvez eu esteja a aproveitar desde já. A sobriedade eu talvez deixe pra velhice mesmo.
:: JUCELINO GENTEBOA 2:30 PM [+] ::
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:: Quinta-feira, Outubro 21, 2004 ::
Se George Martin é eleito o quinto Beatle, o sexto posto ficaria dividido entre dois caras: Brian Epstein e Neil Aspinal. Epstein foi o cara que "descobriu" o quarteto fantástico e produziu o jeitão: cabelos, terninho, etc. Aspinal veio depois. Contribuiu pra caramba na época em que os Beatles queriam entrar na onda "lisergica" do Magical Mistery Tour e Sgt. Peppers.
Ambas concepções de disco são atribuídas a Mcartney, mas foi Aspinal, sacando o que o baixista queria - um grupo "heterônimo" -que inventou a banda do Sgt. Peppers, inspirado em bandas circenses e de Skiffle (gênero parecido com folk, popular no norte da Inglaterra). Ou seja, um produtor que participou das criações da banda.
Hoje em dia me parece que os produtores se ligam muito mais em dominar recursos técnicos (computador) do que participar de criações - pelo menos em música. Não quero dizer que isso não seja importante ou menos valoroso. O que eu quero dizer é que a criatividade está posta de lado. Criatividade, a meu ver, é fazer existir algo que não existia. E isso, me desculpem os métodos de auto ajuda profissional, se ensina a alguém tanto quanto se ensina a jogar futebol. Então por que os "cursos de criatividade" que os publicitários e executivos em geral fazem tanto sucesso? Porque ali não se aprende a criar: aprende-se a adequar o pensamento a certas idéias existentes. Então o produtor não vai criar com a banda, já que tudo parece ter sido inventado e o barato da arte hoje é juntar referências diversas e dar um olhar "coerente" àquilo. Será que Mcartney e Aspinal viram o Sgt. Peppers em algum lugar? Talvez sim, mas a obra tem um peso original inegável. Eles não seguiram "cartilhas" criadoras, que são certeza de sucesso. Vai ver que é por isso que as bandas soam cada vez mais parecidas e têm figurinos cada vez mais semelhantes. E a gente ainda discute gêneros musicais....

:: JUCELINO GENTEBOA 1:18 PM [+] ::
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